Entraves do capitalismo: Tecnologia

Publicado: agosto 25, 2013 em Atualidade, Debate
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Publicado em 8 de junho de 2013 | por Caio Oleskovicz

lampada

Homem cria lâmpada virtualmente inqueimável e é ameaçado de morte

E se o que comprarmos vier de fábrica com um pequeno defeito: Ser obsoleto?

(…) Obsolescência programada,
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada,
E eles querem te vender,
Eles querem te comprar,
Querem te matar de sede,
Eles querem te sedar.
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?

Pois é. A música 3ª do Plural, composta por Humberto Gessinger para o Engenheiros do Hawaii, já citava um dos possíveis males do avanço tecnológico dos últimos cem anos: estamos vivendo na era da obsolescência programada?

Calma, tá tudo bem. O conceito de obsolescência (programada) é algo meio complicado e não se resume ao que apresentarei, mas a ideia, em linhas gerais, é de que os produtos são confeccionados de maneira a ficarem inúteis após um tempo estipulado pelo seu fabricante. Explicando: suponhamos que uma empresa de grande porte, que comercializa eletrônicos, lança no mercado um determinado aparelho em sua versão “4”, tendo já pronto o “5” e talvez até mesmo o “6”. Mas ela vende o “4”, que é feito com uma tecnologia mais barata, pelo preço de super lançamento tecnológico, sendo que na verdade, já estamos “um passo na frente” e sequer sabemos. Inclusive, esse “4” viria com “prazo de validade”, vindo a caducar exatamente pouco antes ou depois de a empresa divulgar o próximo produto da linha! Obsolescência vem da palavra “obsoleto”: o produto seria feito para ficar ultrapassado ou mesmo “quebrado” num espaço de tempo pré-determinado, forçando o consumidor a comprar um novo produto, nem que do mesmo modelo, antes do que seria realmente necessário.

Tudo muito bonito se tratando da empresa de eletrônicos – “ora”, diria alguém, “mas eles podem vender a tecnologia que quiserem pelo preço que quiserem. Não é minha culpa se a inflação tecnológica acontece porque pagam o seu preço, isso é um molde de mercado” – e realmente, tal pensamento tem certa lógica, se não entrarmos na questão ética. O problema é mais fundo, porém: E se isso também acontecer, por exemplo, com a indústria farmacêutica?

O conceito geral (muito conspiracionista, diga-se de passagem – Dan Brown sentiria orgulho) é de que já existe a cura para algumas doenças “incuráveis”. Segundo essa teoria, o lobby das farmácias é que não deixa essa cura ser disponibilizada – os tratamentos para postergar a morte rendem milhões a essas empresas.

De acordo ainda com essa teoria, acontece mais ou menos como ocorre nos oligopólios: Se alguma das empresas (ou mesmo pessoas físicas) não seguir a orientação das demais, acontecem ameaças à integridade do “infrator”. Ou seja, por se tratar de uma organização muito mais poderosa, o setor industrial em si massacra quem tenta fugir do giro de capital.

Plausível para algumas pessoas e absolutamente improvável para outras, a teoria da obsolescência certamente ganhou um certo destaque recentemente por causa de um espanhol. Esse homem supostamente inventou uma lâmpada LED que dura por muito, muito tempo! Uma lâmpada virtualmente inqueimável! Naturalmente, donos de grandes fábricas se sentiriam incomodados por isso, pois bastaria todo o planeta comprar alguns exemplares dessas lâmpadas e suas empresas estariam arruinadas.

Ao comunicar sua fascinante descoberta à mídia, o espanhol – Sr. Benito Muros – teria sofrido ameçadas à vida da sua família e à sua própria. Mas ele não teria se acovardado nem se curvado às propostas milionárias que diz ter recebido: Prosseguiu e colocou no mercado sua descoberta. Ele ainda afirma que foi à uma ilha, onde existe uma lâmpada acesa ininterruptamente há CENTO E ONZE ANOS.

Sem 111 

Puxa, isso faz nossas lâmpadas fluorescentes ficarem no chinelo!

Ficaria extremamente grato se algum leitor que lide com a área de eletrônica – não é o meu caso, embora já tenha sido –, sem ligações com o governo (brincadeirinha, gente, calma), puder esclarecer se é realmente possível uma lâmpada ficar acesa pela ínfima quantia de 111 anos. Caso sim, pelo menos teremos uma dúvida no ar, não é? Aliás, caso seja de conhecimento técnico a possibilidade disso acontecer, por quê que ainda não acontece? É sustentável, bom para o planeta… A menos que tenha algum capital envolvido, é claro. *wink*

É claro que grande parte da história é suposição e é virtualmente “incomprovável”, podendo, inclusive, se tratar de um óbvio golpe de marketing. Mas a teoria da conspiração está aí armada: como eu disse, Dan Brown poderia escrever algo a respeito disso e faturar algum dinheiro. Opa, isso dá pano para manga para mais uma teoria da conspiração…

A título de informação, o conceito de obsolescência é antigo, de modo que não se resume necessariamente a tecnologias atuais, mas, sim, a certos padrões econômicos que existem já há muito tempo. E, claro, tratando-se isso como uma verdade, é interessante perceber que mal controlamos o uso que damos ao nosso rico dinheirinho.

E você? Acha possível que compremos coisas novas-nem-tão-novas-assim? Ou tudo isso é besteira; é um molde econômico e já somos adaptados a ele?

Breve entrevista concedida por Benito Muros ao “El Economista”:

Se trata de um movimento que denuncia a Obsolescência Programada. Lutamos para que as coisas durem o que tenham que durar, porém os fabricantes de produtos eletrônicos os programam para que durem um tempo determinado e obrigam os usuários a comprar outros novos. A lei permite!

O consumo de nossa sociedade está baseado em produtos com data de validade. Mudar isso suporia mudar nosso modelo de produção e optar por um sistema mais sustentável. Os fabricantes devem ser conscientes de que as crises de endividamento como a que vivemos são inevitáveis e que podemos deter o crime ecológico.

(Repórter: A lavadora de minha mãe durou 35 anos)
E agora aos seis já dá
problemas. Também, antes havia umas meias de náilon irrompíveis.
Deixaram de fabricar, por isso, porque duravam demais.
Mas hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore (Califórnia). Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida.

(Repórter: Não queima nunca?)
Nunca! Dura mais de cem
anos, porém como não veremos, oferecemos uma garantia de 25 anos.

(Repórter: Não se vê istameaça-de-morteo nos grandes armazéns.)
Não, porque as dis
tribuidoras nos dizem que vivem das que se queimam. Inclusive recebemos ofertas de milhares de dólares para tira-la do mercado.

(Repórter: E quanto custa sua lâmpada?)
Pode ser comprada online por uns 37 euros. Aos fabricantes não lhes interessa.

(Repórter: Um gênio ou um louco?)
Nem um nem outro. Somente buscamos uma sociedade mais justa. Ainda que isto signifique estar ameaçado de morte.

 

http://literatortura.com/2013/06/homem-cria-lampada-virtualmente-inqueimavel-e-e-ameacado-de-morte/

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