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Nas fábricas e indústrias são produzidas mercadorias úteis naturalmente (necessidade inata) ou artificialmente (necessidade socialmente produzida) ao homem. Na maior parte das fábricas, o local, as máquinas, ferramentas e matéria-prima, etc., são de uma pessoa ou um pequeno grupo de pessoas chamados BURGUESES e sua classe a BURGUESIA. Esses meios pelos quais se produz a mercadoria, (galpão, máquinas, ferramentas, matéria-prima, etc.) são chamados de MEIOS DE PRODUÇÃO.

Quem trabalha para produzir a mercadoria são os OPERÁRIOS. Eles não tem os meios de produção, apenas sua força de trabalho, que vendem para o patrão (BURGUÊS) em troca de salário. Sua classe composta de assalariados é chamada de PROLETÁRIOS.

No dia a dia, entretanto, a convivência nem sempre é harmoniosa. BURGUESESOPERÁRIOS tem objetivos distintos e na maior parte das vezes, antagônicos (contrários). O objetivo dos burgueses é acumular capital (concentrar dinheiro ou meios de produção) e o objetivo dos operários é terem melhores condições de vida (moradia, alimentação, saúde, lazer, etc.). Dessa forma, para que o BURGUÊS pague maiores salários e forneça melhores condições de vida para os operários, ele tem de ir radicalmente contra o seu PRINCIPAL objetivo de acumular riquezas. Os OPERÁRIOS por sua vez, para conquistarem melhores condições de vida, devem exigir melhores condições por meio da LUTA DE CLASSES em sua forma mais imediata.

Com o decorrer do processo histórico, desde o início da industrialização, tanto a BURGUESIA quanto o PROLETARIADO perceberam que para melhor defender seus interesses contrários uns aos outros, deveriam fazê-lo de forma coletiva.

A BURGUESIA criou seus órgãos de defesa de seus interesses, enquanto os OPERÁRIOS passaram a se reunir também para discutir seus problemas, definir estratégias e táticas para atingir seus objetivos criando o MOVIMENTO OPERÁRIO. Com o amadurecimento de suas lutas a partir da própria experiência, os OPERÁRIOS perceberam que não bastava apenas reivindicar melhores salários. Era necessário tomar controle dos MEIOS DE PRODUÇÃO.

O grande problema é que a BURGUESIA, classe que explora o PROLETÁRIADO, jamais abriria mão da sua riqueza e do seu poder construído com o suor dos OPERÁRIOS. Ambas as classes perceberam que isso só poderia se dar por meios revolucionários, ou seja, à força, e que tomando o controle dos MEIOS DE PRODUÇÃO, o poder da burguesia seria destruído e toda a riqueza produzida pela sociedade poderia ser reinvestida e assim distribuída entre a sociedade. À esse sistema no qual a os MEIOS DE PRODUÇÃO são coletivos (de todos) e a riqueza criada por eles é compartilhada pela sociedade, deu-se o nome de SOCIALISMO.

Desde então, a história da humanidade vem sendo a história da luta entre a BURGUESIA e os TRABALHADORES (proletários). Os TRABALHADORES em luta desenvolvendo sua CONSCIÊNCIA DE CLASSE na luta diária para TRANSFORMAR a sociedade, enquanto a BURGUESIA tenta com todos os seus esforços REAGIR contra essa transformação social e contra essa tomada de CONSCIÊNCIA por parte dos TRABALHADORES.

Assista o vídeo abaixo:

Leia agora o manifesto dos trabalhadores da fábrica FLASKÔ:

Manifesto 10 Anos de Fábrica Ocupada Flaskô

Em 12 de junho de 2003, nós, trabalhadores da Flaskô, decidimos tomar nosso presente em nossas mãos, decidimos alterar o destino que o capitalismo e os patrões nos empunham. Nós decidimos tomar a fábrica e coloca-la sob o controle dos próprios trabalhadores. Marchamos nestes dez anos defendendo a palavra de ordem “Fábrica quebrada é fábrica ocupada, e fábrica ocupada deve ser estatizada e colocada sob controle dos trabalhadores”.
A força que nos moveu foi a mesma que nos fez suar de sol a sol, durante nossa vida, vendendo nossa energia para rodar as máquinas do capitalismo e com isso receber um salário para comer, morar e criar nossas crianças. Mais do que isso, a força que nos moveu foi a necessidade de acabar com o horror que vivíamos e também o conjunto de nossa classe.
Porém, em 12 de junho de 2003, nossa força estava animada também com a certeza de que um período havia que se esgotar. O período em que tudo estava organizado somente para o interesse dos patrões. Foi esta esperança, que, naquele momento, se materializava a vitória de Lula. Tendo ele como presidente, nos dava uma coragem ainda maior para irmos em frente. Éramos mais de trezentos que participavam da assembleia que realizamos naquele dia. Éramos uma força que havia tirado os trilhos da história do seu caminho.
E por isso decidimos reconstruir tudo. Assim, ocupamos a fábrica e nos articulamos para garantir o direito ao trabalho, nossa principal forma de dignidade. Para tanto, só havia um caminho, avançar para tomar as fábricas dos patrões, reorganizá-las de acordo com os interesses de nossa classe, de acordo com os interesses mais gerais da humanidade – a vida e a solidariedade entre os próprios trabalhadores, uma vida sem exploração. Organizamos, a partir daí, uma nova fábrica para se trabalhar. Nos unimos aos sem terra para lutar por reforma agrária e o pelo fim do latifúndio. Gritamos: “Quando o campo e a cidade se unir a burguesia não vai resistir”.
Da mesma forma, nos solidarizamos com todo o povo trabalhador explorado, impulsionando a luta pela moradia. Decidimos começar a unir convicção e ação a partir do terreno do patrão que durante décadas sugou nossa vida. Tomamos o terreno, e construímos a Vila Operária, onde vivem hoje 564 famílias. Assim como impulsionamos o projeto Fábrica de Cultura e Esporte, com centenas de atividades realizadas, envolvendo o conjunto da comunidade, com crianças, jovens e adultos, garantindo acesso à cultura, lazer, etc.
Justamente por isso, a cada passo que avançamos, um estalo maior vinha de nossos inimigos – os patrões e seus representantes nos governos, inclusive no governo Lula. Quando avançava a campanha em apoio ao governo Venezuelano, a FIESP se levantou contra nós, convocando os empresários a se mobilizarem contra nossa luta. Quando iniciamos o trabalho de articular as fábricas tomadas na America Latina, a OMC interviu e tentou impedir que esta unidade avançasse.
Em 2007 eles decidiram nos atacar. Mais de 150 policiais federais tomaram a Cipla e Interfibra, ambas então ocupadas em Santa Catarina, expulsando os trabalhadores e empossando um interventor reacionário para realizar os ataques contra as conquistas sociais, legais e humanas que 5 anos de controle operário havia garantindo. É por isso que disseram expressamente na sentença judicial o que realmente eles tem medo: “Imagine se a moda pega?”.
Para tanto, contaram com a tática da criminalização, com uma campanha de calúnias e tentativas de nos deslegitimar perante o conjunto da classe trabalhadora. Obviamente, usaram o monopólio dos meios de comunicação para seus objetivos. A revista Veja afirmou que somos “o MST das fábricas”. Ótimo, é um orgulho!
Porém, nós, poucos, mas valentes trabalhadores da Flaskô, decidimos resistir. E com a força e a solidariedade que recebemos de todo o Brasil e do Mundo, unindo as centrais sindicais as mais diversas, os partidos políticos num amplo espectro, sempre sob a perspectiva de frente única, compreendendo cada passo a ser dado diante da dinâmica da luta de classes. Se por um lado nunca podíamos garantir quanto tempo duraríamos, por conta da cotidiana instabilidade, é certo que tínhamos a certeza que ganharíamos. Porque sabemos que só teríamos a perder nossas correntes e ganhar uma esperança de vitória.
Hoje completamos 10 anos. Passaram-se os dois governos de Lula. E qualquer sombra de caminhar ao socialismo que poderíamos pensar existir nesse governo se esvaiu no ar. O primeiro governo Lula se recusou a encontrar uma solução, mesmo diante das diversas propostas que apresentamos, por meio da reivindicação da estatização sob controle operário, ou mesmo diante da proposta que o BNDES apresentou. Lula dizia que essa pauta não “estava no cardápio”. Mas vimos que o cardápio para os trabalhadores, de fato, era diferente dos grandes capitalistas, já que o mesmo estudo do BNDES foi usado para ação do governo em relação à Aracruz Celulose, JBS FriBoi, Grupo Votorantim, etc. O segundo governo decidiu atacar nosso movimento, sujando suas mãos ao criminalizar a luta dos trabalhadores, e empurrar a luta das fábricas ocupadas para morrer enfraquecida.
O governo Dilma até o momento trabalha para impedir que os projetos de leis que apresentamos no Senado prosperem. Como já demos publicidade e conhecimento, ressalta-se que são dois projetos: um desapropria a fábrica transformando em propriedade social controlada pelos trabalhadores e outro projeto permite que toda fábrica abandonada ou falida seja desapropriada e repassada aos trabalhadores para uma gestão democrática.
Por isso, nestes dez anos decidimos, mais uma vez, ir à ofensiva. Decidimos retomar com força a pressão sobre o governo Dilma/PT, e sobre o Senado Federal, para que aprovem imediatamente a declaração de interesse social para fins de desapropriação da Flaskô. Trata-se de uma decisão política, proporcionando um instrumento efetivo para a luta operária.
E temos a certeza que podemos ganhar porque não se trata de apenas uma fábrica resistindo contra o capitalismo, mas uma fábrica ocupada, resistindo na defesa das pautas históricas da classe trabalhadora em direção ao socialismo. É o que podemos ver no encontro de hoje, onde estão presentes, em grande demonstração de unidade de classe, várias representações internacionais, diversas organizações populares (do campo e da cidade), dezenas de sindicatos e representações estudantis.
A importância é ainda maior diante de uma conjuntura bastante interessante, de crise do capitalismo, ascenso das massas, rearticulação dos movimentos sociais em todo o mundo, inclusive, agora, chegando mais diretamente no Brasil. A burguesia precisará reprimir, criminalizar, mas as contradições ficarão cada vez mais evidentes, e somente deixará mais evidente a necessidade de construção de outra sociedade, não mais fundada na exploração da força de trabalho.
Sabemos que não há socialismo num só país, muito menos sobreviverá somente uma fábrica ocupada, isoladamente. Por isso, como demonstramos nesses 10 anos, somente a unidade de classe, inclusive para além das fronteiras nacionais, poderá dar uma saída real para a luta da classe trabalhadora em direção à transformação dessa sociedade.
Assim, a luta continuará, e precisamos de toda a solidariedade de classe que fez com que a Flaskô ficasse aberta até hoje. Nesse sentido, convocamos todos aqueles comprometidos com a luta da classe trabalhadora por sua emancipação, para que se junte conosco nas lutas e batalhas que serão travadas no próximo período, convidando, desde já, para a Caravana à Brasília em 23 de outubro de 2013, para realização de uma Audiência Pública onde discutiremos os referidos projetos de lei e as perspectivas para as fábricas ocupadas e a garantia das conquistas sociais da classe trabalhadora.

Viva os 10 anos da Fábrica Ocupada Flaskô!

Viva a solidariedade internacional da classe trabalhadora!

Sumaré/SP, Brasil, 15 de junho de 2013.

Assinam essa carta, todos os trabalhadores da Flaskô e todas as entidades e organizações presentes neste encontro, aprovada por unanimidade
Maiores informações veja em http://www.fabricasocupadas.org.br

Exercícios de Fixação:

  1. O que são os meios de produção?
  2. Quem são os operários? Qual seu papel na produção? Quais são seus interesses?
  3. Quem são os burgueses? Qual seu papel na produção? Quais são seus interesses?
  4. No geral, a quem favorece a situação atual? A quem interessa manter e a quem interessa destruir a ordem das coisas?

Exercícios de Interpretação:

1. Interprete as imagens abaixo, e relacione com o vídeo e o texto:
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b)
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c)
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2. Os operários da fábrica Flaskô tiveram e continuam tendo muitas dificuldades em manter a fábrica hoje ocupada, por não ter acesso à financiamentos e crédito. Na sua opinião, as dívidas do do antigo patrão (burguês) seria o único empecilho junto aos credores?
3. Mesmo com todas as dificuldades, os operários conseguiram reduzir a jornada de trabalho para 30 horas semanais. Trabalham 6 horas por dia e dessa forma possuem mais tempo para ficar com a família, fazer cursos ou debater assuntos da comunidade. Porque você acha que essa fábrica conseguiu reduzir tanto a jornada de trabalho sem redução de salário, o que em outras fábricas parece impossível?

Para aprofundar:

O setor primário se refere à área da economia que explora diretamente a natureza, ou seja, que extrai da terra, da água ou do ar o que é necessário ao homem para consumo no estado em que foi extraído ou produtos que sejam matéria prima para a fabricação de outras mercadorias.

Áreas de mineração, coleta, a caça, a pesca e a agricultura são exemplos de atividades do setor primário. A agricultura é uma das mais destacadas e uma de suas características é o Latifúndio. Essa palavra denomina a estrutura da organização da posse de terras no Brasil desde as Capitanias Hereditárias. Resumidamente são grandes extensões de terra, nem sempre utilizadas para produzir alguma coisa, nas posses de uma família, ou pequeno grupo de pessoas.

Para obter uma melhor definição de Latifúndio, assista o vídeo a seguir:

Para superar o conceito de Latifúndio e voltarmos à realidade concreta vivida, leia a reportagem que segue:

Contra reserva, ruralistas sitiam cidade no Mato Grosso

Leonardo Sakamoto

28/09/2013 17:25

Fazendeiros locais espalham boatos, fecham acessos, queimam casas e fazem ameaças contra camponeses em Luciara, situada na região do Araguaia. A matéria é de Daniel Santini, da Repórter Brasil:

A cidade de Luciara, na região do Araguaia, no nordeste do Mato Grosso, foi sitiada com episódios de violência no último final de semana. Em protesto contra os estudos para a criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável em uma região de várzea nas margens do rio Araguaia, ruralistas bloquearam todos os acessos à cidade de quinta-feira, 19, a domingo, 22, queimaram duas casas de camponeses locais, expulsaram professores e estudantes universitários que visitavam a região, fizeram ameaças e espalharam boatos de que a cidade seria totalmente desocupada pelo Governo Federal, provocando revolta entre a população. Um tiro chegou a ser disparado contra a casa de José Raimundo Ribeiro da Silva, professor de filosofia e história e diácono local, e o vereador Jossiney Evangelista Silva (PSDB), indígena da etnia Kanela, foi cercado, impedido de entrar na cidade e ameaçado em um dos bloqueios. Ambos são favoráveis à criação da reserva.

Dada a gravidade da situação, o Ministério Público Federal entrou com pedido de prisão provisória contra quatro pessoas no domingo, 22, deferido no mesmo dia pela Justiça. No começo da semana, a Polícia Federal cumpriu os mandados e prendeu três dos acusados de um conjunto de crimes que inclui incêndio, ameaça à vida, formação de quadrilha e cárcere privado. Um quarto suspeito continuava foragido até a publicação desta reportagem. “Além das prisões, estamos investigando o motivo de os órgãos públicos da cidade não terem funcionado na sexta-feira. A menos que estejam apoiando, não faz sentido repartições fecharem as portas”, diz o procurador federal Lucas Aguilar Sette, que visitou a cidade para reunir provas e identificar os responsáveis pelo que classifica como uma explosão de violência. “Os fazendeiros e políticos locais cooptaram pessoas promovendo um churrasco de três dias e passando informações equivocadas para a população. As pessoas bebiam, iam fazer ameaças e voltavam para a festa”, explica o procurador, que diz que, para provocar pânico, os agitadores utilizaram o exemplo de Posto da Mata, vilarejo irregular construído dentro da Terra Indígena Maraiwatsédé e desocupado no ano passado.

Autoridades federais e estaduais também foram mobilizadas e informadas sobre o problema, incluindo o Ministério da Justiça, a Delegacia Geral da Polícia Federal, a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos e a Secretaria Estadual de Segurança Pública. “A população está muito mal informada. A mídia está vendendo essa ideia. E é uma situação completamente diferente. Luciara não será desocupada, não tem relação”, diz o procurador.

“Fazendeiros e grileiros mentiram dizendo que a cidade seria evacuada e que viraria uma reserva. Enganam o povo e fazem ameaças. Falam como se fosse igual, mas Luciara é um município constituído e Posto da Mata era uma vila em uma Terra Indígena. Pedro Casaldáliga sempre disse para não erguermos igrejas em Posto da Mata porque a cidade estava em Terra Indígena. Precisamos que órgãos governamentais mostrem ao cidadão comum a realidade”, diz José Raimundo Ribeiro da Silva, o Zecão, como é conhecido o professor e diácono que teve sua casa atingida por um disparo. “Estamos sendo vítimas do ‘agrobanditismo’. Sou a favor da criação da reserva, da preservação da margem do rio Araguaia, de que o avanço da soja não suje a água de veneno. Tenho recebido ameaças e temo pela minha vida”, completa. A Comissão Pastoral da Terra divulgou nota denunciando o atentado contra o diácono.

Os retireiros – A revolta está relacionada à insatisfação de latifundiários locais com a perspectiva de criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que beneficiaria camponeses conhecidos como “retireiros”. São criadores de gado que usam as áreas de várzea do rio Araguaia para o pastoreio durante as secas e, quando o rio sobe, retiram os animais para terras mais elevadas. Eles criam o gado de maneira solta em uma região de pastagem comum, nativa. Não há cercas nas áreas, já que impediriam o acesso à água pelo gado e acarretariam no pisoteio exagerado de algumas áreas de pastagens.

“Temos de preservar uma comunidade que há mais de 60 anos lida com gado no ‘varjão’ do Araguaia. Esse gado se sustenta ali e fica quatro, cinco meses na área de várzea. Depois, o retireiro retira e vai para o lugar alto, onde constrói sua casa, tem uma horta. Ele tira o leite e espera a água baixar para voltar com o gado para lá. Nessa labuta, [os retireiros] construíram saberes sobre a biodiversidade, a fauna e flora, o relacionamento com o rio. Eles conhecem a natureza como poucos”, diz Zecão.

Incêndio destruiu casa de Rubem Sales, presidente da Associação dos Retireiros do Araguaia. Foto: Arquivo Pessoal

“Houve um recrudescimento [da violência] por parte de algumas pessoas que são contrários à criação da Unidade de Conservação. Esse é o motivo”, explica Fernando Francisco Xavier, coordenador Regional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente responsável pelas Unidades de Conservação Federais. “Pode haver oposição, mas não podemos admitir que um Estado paralelo se instale, que interesse apenas alguns grupos. Isso é inadmissível”, diz Fernando.

A mobilização está diretamente relacionada com a disputa por terras. Há grilagem na região e envolvidos temem não poder mais comercializar áreas.

Acadêmicos expulsos – A confusão começou, segundo o coordenador do ICMBio, porque pesquisadores ligados à Universidade Federal da Amazônia que visitavam a região foram confundidos com funcionários do Governo. “Surgiu o boato de que iríamos fazer uma consulta pública sobre a criação da reserva e a barreira visava impedir o acesso do Instituto Chico Mendes. Não tem sentido fazer uma consulta pública às escondidas, elas são previamente agendadas e amplamente divulgadas”, afirma. “Podemos fazer o debate e é legítimo [que haja oposição], mas aconteceram atentados contra representantes da comunidade que revelam a fragilidade e vulnerabilidade a que as lideranças estão submetidas”, completa o representante do ICMBio.

Mesmo com a prisão de três pessoas e a operação realizada no começo da semana, as lideranças locais ainda temem que a situação se agrave. “Estamos sozinhos aqui agora que a Polícia Federal foi embora, sem nenhuma proteção”, diz Rubem Taverny Sales, presidente da Associação dos Retireiros do Araguaia, proprietário de uma das casas queimadas durante os ataques.

A outra é de Jossiney Evangelista Silva, o vereador indígena da etnia Kanela, que foi impedido de entrar na cidade, cercado e ameaçado. “Fiquei apavorado, tive medo que eles me torturassem”, conta. Ele procurou a polícia imediatamente ao saber que haviam ateado fogo na sua casa, e, ao tentar se dirigir à delegacia para registrar a ocorrência, foi parado no bloqueio. Nem a presença de policiais, que haviam ido com o vereador até o incêndio, impediu que ele fosse intimidado. “As pessoas estavam exaltadas, um grupo me cercou, tirou a chave da ignição da moto e tentou agredir minha prima Lidiane, tentando tomar a máquina fotográfica da mão dela”, conta. “Do bloqueio ninguém teve coragem nem de tirar foto. Eles falaram que eu tinha de deixar a moto e voltar a pé, mas eu não aceitei. No fim, conseguimos ir embora.”

Na barreira armada, além dos primeiros pesquisadores, também foram parados professores e estudantes ligados ao projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, que realizariam uma Oficina de Mapas com os retireiros. Entre os expulsos estão os professores Cornélio Silvano Vilarinho Neto e Antonio João Castrillon. Os acadêmicos fizeram críticas públicas à postura agressiva dos ruralistas. “A violência que atinge as pessoas pelo constrangimento, intimidação e destruição, visa também enfraquecer e desestruturar a identidade coletiva do grupo, que está fortemente ligada ao processo de territorialização específica das áreas de retiro”,escreveu Castrillon.

Soja, grilagem e terras públicas – A disputa fundiária em Luciara está relacionada ao avanço do monocultivo de soja na região do Araguaia, assunto que foi tema de reportagem publicada em fevereiro pela Repórter BrasilCom a expansão das plantações na região, as terras estão cada vez mais valorizadas e o desmatamento aumenta devido à necessidade de novas áreas para plantio. Além do espaço necessário para o cultivo, o fato de o veneno utilizado nas lavouras afetar os rios também é motivo de conflitos.

Em Luciara, em 2009, como parte dos estudos para criação da reserva, foi feito um levantamento fundiário completo de títulos e ocupantes de uma área de 198 mil hectares, considerada ideal para a reserva. Para minimizar a tensão fundiária, porém, o ICMBio passou a trabalhar com 110 mil hectares. “Vimos a necessidade de diminuir para uma área menor em função dos conflitos existentes. Decidimos delimitar o espaço de uso da comunidade, ainda que em prejuízo dos retireiros para viabilizar a reserva. Isso mesmo considerando que muitas terras não têm atividade agrícola”, explica Fernando Francisco Xavier, o coordenador do ICMBio. A Secretaria de Patrimônio da União foi acionada para averiguar quais são as áreas públicas que poderiam ser incluídas na reserva. Os retireiros já entraram com pedido de Concessão de Autorização de Uso Sustentável (Caus).

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/09/28/contra-reserva-ruralistas-sitiam-cidade-no-mato-grosso/

Tendo visto o vídeo e lido a reportagem, responda as seguintes questões:

1. Quais são os motivos dos conflitos?
2. Quais são os grupos que cometem os crimes e a violência?
3. Quais são os grupos que sofrem a violência? Porque?
4. A reportagem é recente. Entretanto foi retirada de um blog, e não de um grande site de notícias. Também não foi divulgado em âmbito nacional. Qual poderia ser o motivo disso? Explique.
5. Por que algumas pessoas ainda sentem medo, mesmo depois da operação feita na região pela Polícia Federal? Como foi, na sua opinião, essa ação?
6. Qual a importância da criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável?
7. O que é o latifúndio? E o agronegócio? Explique.
8. Analise a imagem abaixo e faça a relação entre ela, o vídeo e a reportagem.
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9. E no congresso, quem são os representantes dos Latifundiários (ou ruralistas)? Quem os financiou? Escolha um representante e copie as informações mais relevantes.

Pesquise aqui: http://www.republicadosruralistas.com.br/#bancada

Para aprofundar:

Para facilitar a vida dos que combatem a chegada dos médicos cubanos com “isenção política e ideológica”, confira algumas dicas para criminalizar esses profissionais de saúdeMário Bentes*, Revista Babel

Nota do editor: caso você seja contra o programa “Mais Médicos”, mas sua linha de raciocínio passe longe dos itens listados a seguir, então esse texto não é pra você.

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Médicas brasileiras rejeitam chegada de cubanos

Para facilitar a sua vida, amigos reacionários que combatem, sem “visões políticas e ideológicas”, a vinda de médicos cubanos ao Brasil – ainda que, whatever, não sejam apenas cubanos –, elenco aqui algumas dicas infalíveis para criminalizar a chegada dessas pessoas e também ao seu país. Para cada dica, também apresentamos os riscos de contraprova e os caminhos para contorná-las. Tudo simples e superficial, como suas mentes.

1. Acuse os médicos cubanos envolvidos nas missões internacionais de serem “guerrilheiros comunistas” enviados ao Brasil para fazer propaganda ideológica. Se a pecha não colar, já que os 132 mil médicos cubanos enviados a 102 países pelas missões internacionais não converteram nenhuma dessas nações, que continuam capitalistas (ufa!), tente ser pragmático para esconder sua paranoia reacionária e direitista – mas sempre desprovida de ideologias, claro.

2. Colete dados de blogs aleatórios, principalmente daqueles anti-comunistas disfarçados, mesmo que eles não apresentem fontes confiáveis, para sustentar sua tese (agora aparentemente desprovida de pretensões ideológicas) de que a medicina cubana não presta. Que a ilha está mergulhada em doenças erradicadas até em Serra Leoa e que… enfim, a medicina cubana não presta, fim.

Caso apareçam notícias de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não apenas aprove, mas recomende o modelo médico cubano para o resto do mundo, faça vista grossa. Afinal, a OMS está cheia de comunistas. Mesma tática deve ser feita se a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecer o modelo clínico cubano de atenção a saúde básica. A ONU foi cooptada pelos rios de dinheiro castrista.

3. Mate o mensageiro antes que ele dê a mensagem. Para evitar que qualquer nova notícia incômoda, com aqueles chatos dados e números comprovados, venha a derrubar sua tese, bata sempre na mesma tecla: qualquer notícia favorável ao “regime comunista dos irmãos Castro” só pode ser propaganda oficial do governo. OMS achou a medicina cubana exemplar? Propaganda oficial do governo. ONU também? Propaganda oficial do governo. Nenhum dos mais de 100 países em todo o planeta nunca reclamaram do trabalho dos comunistas? Propaganda oficial do governo.

Leia também: os 40 mandamentos do reacionário perfeito

4. Não dê atenção a mentiras disseminadas pela propaganda oficial do governo, como “Cuba avança na prevenção e combate ao câncer com investimento em biotecnologia, afirma OMS”, ainda que esteja no site da ONU e ainda que quem afirme seja a OMS. Afinal, esses “médicos” de pele escura, com cara de empregadas domésticas, que não se impõem pela aparência, jamais poderiam ser médicos – que dirá bons médicos. Tudo mentira castro-comunista.

5. Coma pelas beiradas e adote argumentos serenos, como a exigência do Revalida para os cubanos. Ops, para qualquer médico estrangeiro. Evite fazer o que fizeram alguns médicos cearenses, que vaiaram a chegada dos cubanos no aeroporto (ainda que você tenha vibrado com isso). Afinal, sua luta é contra o governo do PT, que quer implantar a ditadura comunista no Brasil.

Se notícias antigas mostrarem que a vinda de cubanos era festejada, inclusive pela revista Veja, quando o presidente era o Fernando Henrique Cardoso e o ministro da saúde o José Serra – ambos do PSDB –, também faça vista grossa. No máximo, diga que “o contexto era outro”.

6. Diga que, nos moldes como está sendo feita, a contratação dos cubanos representa “escravidão” – já que o repasse do pagamento será feito direto ao governo comunista. Use palavras e expressões prolixas pro que você está acostumado, ainda que lembrem discursos de esquerda (risos), como “atentado às leis trabalhistas”, “exploração de mão-de-obra” e similares. Tudo bem que você nunca se importou com “escravidão” enquanto comprava suas roupas na Zara ou na Le Lis Blanc, ou quando foi contra a regulamentação do trabalho das domésticas. Mas agora é uma boa hora para mudar, não é mesmo? (quando a poeira baixar, volte a deixar o assunto de lado)

7. Não se desespere se pintar alguma notícia de que os cubanos têm aparecido nos primeiros lugares no Revalida em edições recentes do exame, como 2011 e 2012. Afinal, a Escola Latino-Americana de Cuba (Elam), ainda que seja reconhecida por órgãos internacionais pela boa formação médica, é uma escola de formação marxista cultural. Fazer vista grossa é preciso. Se você não conheceu, nada aconteceu.

8. Procure notícias que sustentem sua tese. Exemplo: uma que diga que algumas prefeituras do interior têm o interesse de mandar embora os médicos brasileiros que já estão contratados para trocar por profissionais cubanos (mais em conta, afinal são escravos). Não importa se a safadeza é da prefeitura cujo prefeito você nem se interessa em saber de qual partido é. Não importa se o Ministério da Saúde já havia advertido aos espertalhões, quase dois meses antes, que essa troca não poderia ser feita e que demissões indevidas seriam punidas com o cancelamento dos repasses. Não importa se o jornal que publicou a notícia omitiu deliberadamente essa informação. Compartilhe e notícia e use-a como bandeira. Se o desmentido começar a circular, ignore.

9. Use como suas as palavras dos presidentes de organizações de classe, em especial a de que a formação médica em Cuba é insuficiente e que o currículo não é adequado ao nosso país. Ignore solenemente se algum líder da revolta tenha filhos formados na ilha comunista e que, inclusive, exercem a profissão no país. Se perguntarem, diga que os tais filhos do presidente seguiram o caminho correto e, depois de se formar na atrasada ilha, voltaram ao Brasil e fizeram o Revalida – onde tiveram que reaprender a medicina (nesse caso, continue repetindo o item 7).

10. Se nada mais der certo, e as notícias com fontes de credibilidade continuarem a circular e as notícias de fonte duvidosa serem desmentidas, pare por um momento, respire fundo e tome uma atitude ousada e corajosa: volte ao primeiro passo. Mesmo que haja dados suficientes para negar essas tolices de “guerrilheiros comunistas”, repita o processo sempre que alguém permitir.

*Mário Bentes é jornalista, escritor e fotógrafo.

Publicado em 8 de junho de 2013 | por Caio Oleskovicz

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Homem cria lâmpada virtualmente inqueimável e é ameaçado de morte

E se o que comprarmos vier de fábrica com um pequeno defeito: Ser obsoleto?

(…) Obsolescência programada,
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada,
E eles querem te vender,
Eles querem te comprar,
Querem te matar de sede,
Eles querem te sedar.
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?

Pois é. A música 3ª do Plural, composta por Humberto Gessinger para o Engenheiros do Hawaii, já citava um dos possíveis males do avanço tecnológico dos últimos cem anos: estamos vivendo na era da obsolescência programada?

Calma, tá tudo bem. O conceito de obsolescência (programada) é algo meio complicado e não se resume ao que apresentarei, mas a ideia, em linhas gerais, é de que os produtos são confeccionados de maneira a ficarem inúteis após um tempo estipulado pelo seu fabricante. Explicando: suponhamos que uma empresa de grande porte, que comercializa eletrônicos, lança no mercado um determinado aparelho em sua versão “4”, tendo já pronto o “5” e talvez até mesmo o “6”. Mas ela vende o “4”, que é feito com uma tecnologia mais barata, pelo preço de super lançamento tecnológico, sendo que na verdade, já estamos “um passo na frente” e sequer sabemos. Inclusive, esse “4” viria com “prazo de validade”, vindo a caducar exatamente pouco antes ou depois de a empresa divulgar o próximo produto da linha! Obsolescência vem da palavra “obsoleto”: o produto seria feito para ficar ultrapassado ou mesmo “quebrado” num espaço de tempo pré-determinado, forçando o consumidor a comprar um novo produto, nem que do mesmo modelo, antes do que seria realmente necessário.

Tudo muito bonito se tratando da empresa de eletrônicos – “ora”, diria alguém, “mas eles podem vender a tecnologia que quiserem pelo preço que quiserem. Não é minha culpa se a inflação tecnológica acontece porque pagam o seu preço, isso é um molde de mercado” – e realmente, tal pensamento tem certa lógica, se não entrarmos na questão ética. O problema é mais fundo, porém: E se isso também acontecer, por exemplo, com a indústria farmacêutica?

O conceito geral (muito conspiracionista, diga-se de passagem – Dan Brown sentiria orgulho) é de que já existe a cura para algumas doenças “incuráveis”. Segundo essa teoria, o lobby das farmácias é que não deixa essa cura ser disponibilizada – os tratamentos para postergar a morte rendem milhões a essas empresas.

De acordo ainda com essa teoria, acontece mais ou menos como ocorre nos oligopólios: Se alguma das empresas (ou mesmo pessoas físicas) não seguir a orientação das demais, acontecem ameaças à integridade do “infrator”. Ou seja, por se tratar de uma organização muito mais poderosa, o setor industrial em si massacra quem tenta fugir do giro de capital.

Plausível para algumas pessoas e absolutamente improvável para outras, a teoria da obsolescência certamente ganhou um certo destaque recentemente por causa de um espanhol. Esse homem supostamente inventou uma lâmpada LED que dura por muito, muito tempo! Uma lâmpada virtualmente inqueimável! Naturalmente, donos de grandes fábricas se sentiriam incomodados por isso, pois bastaria todo o planeta comprar alguns exemplares dessas lâmpadas e suas empresas estariam arruinadas.

Ao comunicar sua fascinante descoberta à mídia, o espanhol – Sr. Benito Muros – teria sofrido ameçadas à vida da sua família e à sua própria. Mas ele não teria se acovardado nem se curvado às propostas milionárias que diz ter recebido: Prosseguiu e colocou no mercado sua descoberta. Ele ainda afirma que foi à uma ilha, onde existe uma lâmpada acesa ininterruptamente há CENTO E ONZE ANOS.

Sem 111 

Puxa, isso faz nossas lâmpadas fluorescentes ficarem no chinelo!

Ficaria extremamente grato se algum leitor que lide com a área de eletrônica – não é o meu caso, embora já tenha sido –, sem ligações com o governo (brincadeirinha, gente, calma), puder esclarecer se é realmente possível uma lâmpada ficar acesa pela ínfima quantia de 111 anos. Caso sim, pelo menos teremos uma dúvida no ar, não é? Aliás, caso seja de conhecimento técnico a possibilidade disso acontecer, por quê que ainda não acontece? É sustentável, bom para o planeta… A menos que tenha algum capital envolvido, é claro. *wink*

É claro que grande parte da história é suposição e é virtualmente “incomprovável”, podendo, inclusive, se tratar de um óbvio golpe de marketing. Mas a teoria da conspiração está aí armada: como eu disse, Dan Brown poderia escrever algo a respeito disso e faturar algum dinheiro. Opa, isso dá pano para manga para mais uma teoria da conspiração…

A título de informação, o conceito de obsolescência é antigo, de modo que não se resume necessariamente a tecnologias atuais, mas, sim, a certos padrões econômicos que existem já há muito tempo. E, claro, tratando-se isso como uma verdade, é interessante perceber que mal controlamos o uso que damos ao nosso rico dinheirinho.

E você? Acha possível que compremos coisas novas-nem-tão-novas-assim? Ou tudo isso é besteira; é um molde econômico e já somos adaptados a ele?

Breve entrevista concedida por Benito Muros ao “El Economista”:

Se trata de um movimento que denuncia a Obsolescência Programada. Lutamos para que as coisas durem o que tenham que durar, porém os fabricantes de produtos eletrônicos os programam para que durem um tempo determinado e obrigam os usuários a comprar outros novos. A lei permite!

O consumo de nossa sociedade está baseado em produtos com data de validade. Mudar isso suporia mudar nosso modelo de produção e optar por um sistema mais sustentável. Os fabricantes devem ser conscientes de que as crises de endividamento como a que vivemos são inevitáveis e que podemos deter o crime ecológico.

(Repórter: A lavadora de minha mãe durou 35 anos)
E agora aos seis já dá
problemas. Também, antes havia umas meias de náilon irrompíveis.
Deixaram de fabricar, por isso, porque duravam demais.
Mas hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore (Califórnia). Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida.

(Repórter: Não queima nunca?)
Nunca! Dura mais de cem
anos, porém como não veremos, oferecemos uma garantia de 25 anos.

(Repórter: Não se vê istameaça-de-morteo nos grandes armazéns.)
Não, porque as dis
tribuidoras nos dizem que vivem das que se queimam. Inclusive recebemos ofertas de milhares de dólares para tira-la do mercado.

(Repórter: E quanto custa sua lâmpada?)
Pode ser comprada online por uns 37 euros. Aos fabricantes não lhes interessa.

(Repórter: Um gênio ou um louco?)
Nem um nem outro. Somente buscamos uma sociedade mais justa. Ainda que isto signifique estar ameaçado de morte.

 

http://literatortura.com/2013/06/homem-cria-lampada-virtualmente-inqueimavel-e-e-ameacado-de-morte/

“As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis”

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

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Artigo | 8 Julho, 2011 – 15:23

Richard J. Roberts: “É habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores”. Foto de Wally Hartshorn

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

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A investigação pode ser planeada?

Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.

Parece uma boa política.

Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada …

E não é assim?

Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.

Como nasceu?

A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.

Uma aventura.

Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.

Foi cientificamente produtivo?

Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.

O que descobriu?

Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética).

Para que serviu?

Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?

É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde… Eu tenho as minhas reservas.

Entendo.

A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

Explique.

A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais …

Como qualquer outra indústria.

É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.

Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.

efpiapharmaPor exemplo…

Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença …

E por que pararam de investigar?

Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.

É uma acusação grave.

Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.

Há dividendos que matam.

É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.

Um exemplo de tais abusos?

Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.

Não fala sobre o Terceiro Mundo?

Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.

Os políticos não intervêm?

Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.industria-II

Há de tudo.

Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…

18 de Junho, 2011

Publicado originalmente no La Vanguardia. Retirado de Outra Política

Tradução de Ana Bárbara Pedrosa para o Esquerda.net

Patentes atentam contra disponibilidade de remédios

Máfias farmacêuticas

http://www.esquerda.net/artigo/farmac%C3%AAuticas-bloqueiam-medicamentos-que-curam-porque-n%C3%A3o-s%C3%A3o-rent%C3%A1veis